or que Ostras Azuis?

Na infância tive um sonho lúdico, sonhei que vivia numa cidade no fundo do mar e que o meu ofício era "garimpar" ostras azuis. Estas ostras possuíam, no seu interior, pérolas de todas as cores, cheias de luz (energia), que serviam de alimentação a todos os habitantes da cidade.

Percebo agora o que significam essas OSTRAS, elas são na verdade todas as ideias que encantam e alimentam a alma. Portanto este espaço azulado pertence a todos aqueles que se alimentam de:

Arte, Ciência e Espiritualidade

Olá!

Ao visitar o nosso espaço deixe seu comentário. A troca de conhecimentos, informações e idéias é, ao meu ver, muito gratificante.
Agradeço a todos.

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domingo, 12 de janeiro de 2014

O teu Olhar


Tudo o que vi no teu olhar
Está em mim, está no mundo,

As melhores cenas e o inferno.

No teu olhar a vida.
No teu olhar a morte.

Sim, eu vi...
Nele as imagens dos meus sonhos
A sorte dos meus dias, a guarida,
O meu próprio ser engalfinhado em ti.

- Por Ianê Lameira

domingo, 17 de março de 2013

Rosa no asfalto



Para aqueles que cantam o Amor e Louvam a Deus! Mas que não amam e são hipócritas,
Dou uma rosa...apenas uma rosa, roubada em Praça Pública,
Quase sem vida, pendendo triste, dentro de um embrulho...
Coitada da rosa...coitados dos que não amam e são hipócritas.
Não fui eu a culpada...eu ajuntei a rosa no asfalto...já tinha sido tirada do seu galho, por puro egoísmo.

                                                                                                           Ian Lama

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Desperdício da Vida


"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,  na prudência egoísta que nada arrisca e que, que o ócio é desculpa do medo de errar, buscar a solidão é evitar o contágio dos que vivem a fazer o mal e, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade". - (Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A maçã da boca


A maçã


E há de ser a maçã,
Na boca aberta e voraz do tempo...
E terá que ser felina, amarga, doce, boquiaberta, donde escorre o mel e o fel...
E nunca será como antes,
A boca e a pequena maça, apenas um diálogo entre as coisas que supostamente serão...
 Ianê Lameira

Fotos de Belém com a música "Olho de Boto", de Nilson Chaves e Vital Lima:


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Há dois mil anos....

Um amigo meu, Marcos Cintra, um ser humano sensível e um poeta sui-generis, cujas poesias de fino humor e de grande sensibilidade já postei aqui no nosso Blog, encaminhou ao Fórum do qual participo : TCI-BR - Transcomunicação Instrumental, uma poesia que revela a magnitude do Amor na sua essência espiritual e concepção mais perfeita. Trata-se de uma Ode, uma canção fulgente da alma. Leiam como ele mesmo nos informa sua origem: 

".............O primeiro livro psicografado por Chico Xavier, " O Parnaso de além túmulo", é uma coletânea de poetas brasileiros e portugueses que já partiram para o outro lado que vale a pena ser lido pelos amantes da poesia. Vou deixar aqui também para os colegas do grupo, o belo poema de Emmanuel que se encontra no seu romance " Há dois mil anos" e foi escrito pelo Senador Publius Lentulus, uma encarnação do Emmanuel nos tempos de Cristo e que foi dedicado a sua esposa  Lídia.
A todas as almas gêmeas do nosso fórum:"



                               
                               

                                   ALMA GÊMEA
                              ALMA GÊMEA DA MINHA ALMA
                              FLOR DE LUZ DA MINHA VIDA
                              SUBLIME ESTRELA CAIDA 
                              DAS BELEZAS DA AMPLIDÃO 
                              QUANDO EU ERRAVA NO MUNDO
                              TRISTE E SÓ NO MEU CAMINHO
                              FOSTE CHEGANDO DEVAGARINHO
                              E ENCHESTE-ME O CORAÇÃO
                              VINHAS NAS BÊNÇÃOS DOS DEUSES
                              NA DIVINA CLARIDADE
                              TECER-ME A FELICIDADE
                              EM SORRISOS DE ESPLENDOR
                              ÉS O MEU TESOURO INFINITO
                              JURO-TE ETERNA ALIANÇA
                              PORQUE SOU TUA ESPERANÇA
                              COMO ÉS TODO O MEU AMOR
                              ALMA GÊMEA DA MINHA ALMA
                              SE UM DIA EU TE PERDER
                              SEREI A ETERNA AGONIA
                              DA SAUDADE NOS SEUS VÉUS
                              SE UM DIA ME ABANDONARES
                              LUZ TERNA DOS MEUS AMORES
                              HEI DE ESPERAR-TE ENTRE AS FLORES
                              DA CLARIDADE DOS CÉUS.
                          PUBLIUS LENTULUS(EMMANUEL)
                                                                               MC


Link TCI-BR: http://br.groups.yahoo.com/group/TCI-BR/


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Ao Mestre com carinho





Dedico estes singelos versos ao nosso Mestre Paladino Alvino, que sempre nos ensinou tantas novidades e que sempre defendeu a preservação da vida.


SONHO DE UM ROBOT


Um monte de ferros fundidos,
Torneados, lixados e pintados,
Engrenagens ligadas e rebitadas,
Frias, toscas e desengonçadas,
Um simulacro antropomorfizado,
Do corpo humano copiado.

As minhas juntas ruidosas e enferrujadas,
Em vez do líquido sinovial,
É com óleo que são lubrificadas,
Senão fico rangedor, Barulhento e bestial.

No meu cérebro tenho chips em vez de neurônios,
Não tenho olfato, tato ou paladar,
Nem possuo glândulas que secretem hormônios
Ou pelos que me possam arrepiar.

Mas o que mais sinto falta
É de ter uma humana alma
Para poder sentir o amor,
O pesar, o ardor e a dor,

Vivenciar o meu mundo interior,
Emocionar-me com o entardecer,
Sentir a brisa suave do amanhecer.

Deslumbrar-me com um céu estrelado,
Sofrer, amar, invejar,sorrir.
Chorar e poder ficar afetado,
Como também sentir-me desolado.
Enfim, sentir-me vivo
E da vida poder desfrutar!

MC, 12/04/2012

VOLTE LOGO MESTRE!

Obs: MC é Marcos Cintra, um amigo querido, que é sensitivo, pesquisador de Transcomunicação Instrumental, adora o céu e as estrelas e os animais e é poeta nas horas vagas. Aliás são tantos os seus dons que não teria como enumerá-los. Gosto muito do seu bom humor! hahahaha! Esta poesia ele dedicou a um outro amigo meu o Carlos Eduardo Paladino Alvino , já homenageado anteriormente, aqui no nosso espaço. Um beijo ao meu querido Alvino, que também é pesquisador (Comunicação Multiversal e Teleporte), cientista irreverente e meu Mestre querido que ama a vida, as pessoas e tudo o que vive, seja aqui em nossa dimensão ou em outras e que ama até as máquinas pois que estuda uma maneira de conceder-lhes alma e consciência. Amo vocês!!!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Muitos rostos, muitas vidas


Quem são, quem sou?
(Parapsicofotografias)

As teias dos sonhos me conduzem
Levam-me até esses rostos
Coberto de nuvens e luzes 
De todas as cores...

Espreitam-me nos espelhos
Na colcha da cama
E balbuciam palavras
Que me parecem sem sentido

Ah! os olhos, os grandes olhos
Perdidos na palma das mãos
Falam-me de realidades irreais
E me perseguem ou solicitam
Talvez um pouco de atenção...

Quem são? Onde estão?
Será que vivem?
Será que sonham?

Seres angelicais, leves sutís
Outros nem tanto e tão vis
Parecem zumbis atordoados
Perdidos por encanto,
No canto do papel laminado,

Fazendo pose e surgindo levemente
Aterrorizados, sensuais  ou dissimulados
Na lente da minha memória emotiva.

São desenhos e pinturas, encantos,
Perdidos em minha história antiga
Surgindo dos escombros do que sou?

Não sei, não há como saber agora
E isto me desgasta, me amofina muito
Mas já não me assusta tanto.

Só os quero nesta hora captados,
Pelas lentes encantadas da câmera
Surgindo do nada, de manto
E sussurrando ansiosos  as palavras
Que não posso compreender totalmente

Fazendo-me interrogar na incerteza
a sutileza da verdade sussurrada
Ao Delinear dentro de mim
A fronteira entre o que penso
E o que sou.

Compreendendo perplexa
a  transitoriedade da vida
E a eternidade do amor
.
Sou enfim tantos sonhos, tantos rostos
Todos eles desconexos e plasmados
Em todos os lugares possíveis.

E assim, sem Ciência, penetro pacificamente,
No segredo da Morte e da Existência,
Em todos os níveis complexos da realidade,

Para sutilmente, de forma plausível,
Pressentir-me quase enlouquecida,
Perseguindo rostos  estranhos e  visíveis,
Em todas as frestas da Vida.
Ian Lama

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Jamais te esquecerei amiga!

                 

             









               
         


Para minha amiguinha Clelen

Se eu for,
Para onde for,
Esgarçando a cortina da vida,
Trarei aqui, não sei aonde,
o que significa o teu olhar,
 o teu sorrir, o teu querer...

Jamais te esquecerei amiga!

Teu coração doador, bonito,
Tua doce pureza de alma,
Teu Ser fraterno e belo
E tudo o que aprendi contigo,
Sem nunca ter apertado tua mão,
Ou ter te dado um abraço.

O brigada amiga, muito obrigada
Por ter me oferecido a vida,
Me mostrado o caminho
E partilhado comigo,
sua insegurança e alegria.

Me perdoe pela ausência,
Pelo desvio de caminho
E por tudo o que não consigo ser

Já valeu a pena saber que vives, existes
E que um anjo faz parte da minha vida!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A poeta que não sabia amar

Por Antonio Naud Júnior

De personalidade complexa, cristalina e sem artifícios, Hilda Hilst, a autora de “Qadós”, continua sendo lembrada três anos após sua morte.


A última palavra que ouvi da boca de  Hilda Hilst  soou terrível, como uma punhalada mortal: “Judas!”, disse-me emocionada, chorando. Era o fim de um bonito relacionamento, causado por  um  modesto ensaio de 14 páginas, “Hilda Hilst – A Consciência Inquieta e Atormentada”, sobre a sua vida e obra, que eu havia escrito com a única finalidade de presenteá-la de forma original no dia dos seus 62 anos. Semanas antes, ingenuamente, havia enviado cópias do texto para alguns amigos da autora de “A Obscena Senhora D” (1982), pedindo confirmação a respeito de alguns fatos abordados. Um deles (ou mais de um?) aproveitou a situação para num golpe fulminante cortar a minha cabeça, já que em todos os reinos existem ciumeiras e intrigas. Afastado da abelha-rainha, nunca mais voltei a vê-la. Logo eu, um garotão maluco por ela, que amava passar finais de semana na sombria Casa do Sol, um sítio próximo de Campinas.

Encantado com a voz bonita, de tom articulado e grave, desfiando histórias picantes, eu ria com o humor demolidor da idosa dama desiludida. Conversávamos fervorosamente sobre extraterrestres, experiências místicas, Deus, poesia, filmes, atores, cineastas. Ela me perguntava coisas sobre a minha vida, impressionada com o meu nascimento numa fazenda de cacau. Também muitas vezes eu cozinhava ou preparava chás, já que a escritora não sabia fritar nem um ovo; nos braços, colocava-a para dormir, embriagada, além de divulgar sua produção literária na mídia, dentro de minhas minúsculas possibilidades, e insistir para que concedesse entrevistas. Num dos nossos melhores momentos, comovido, acompanhei o nascimento dos versos de “Do Desejo” (1992), profundos como um oceano, que ela finalizou sem qualquer correção, como sempre o fez nos livros anteriores. Entretanto, percebi imediatamente que Hilda Hilst nunca estava satisfeita, queixando-se quase sempre, querendo mais. Nada era bom o bastante, nem os prêmios literários, nem as traduções de sua obra para o francês e o italiano, nem os elogios de consagrados críticos literários. Hilda me parecia radiante, iluminada, fraterna, mas terminaria por descobrir um coração ferido, uma luta constante entre o instinto de sobrevivência e a autodestruição.

NINHO DE VÍBORAS

Acusado injustamente, o boicote brutal me fez perder um bom emprego e as portas de diversos conhecidos meus, escritores e jornalistas, fecharam-se. Assim, aprendi cedo que o mundo literário é um ninho de víboras, tão selvagem como qualquer campo de batalha. Entretanto, qual o motivo da censura imperdoável ao tal controverso ensaio? O que escrevi, a poeta de “Cantares de Perda e de Predileção” (1983) contava abertamente, encantadora e sarcástica, rodeada de estudantes de literatura ou poetas de todo o Brasil, como uma moderna Sherazade, entre uma dose de uísque ou outra e muitos cigarros, enquanto assistíamos a telenovela das oito, sem jamais pedir segredo e traduzindo uma confiança inabalável em seu passado irreverente. Talvez o ponto vulnerável estivesse em uma vivência relatada oralmente, vista de uma só vez estampada no papel. Mas por que eu deveria seguir os passos da maioria dos narradores da história da polêmica escritora, omitindo fatos essenciais e ficando apenas na exuberância superficial? Eles, quando contam algo incômodo, em carne viva, entornam mel, praticamente pedindo perdão ao leitor e, principalmente, a biografada. É difícil cavar o fosso entre o mito e a realidade. Segundo um dos personagens de Dostoievski, “um homem saciado não pode compreender um faminto e nem mesmo um faminto pode compreender um outro”. O evidente é que Hilda Hilst nunca se preocupou em ocultar sua vida privada. Parecia não ser importante para ela.

ALÉM DE BONITA, PENSA E ESCREVE

O ensaio percorre labirintos ouvidos, diversas vezes, dos lábios da própria poeta: o pai, o fazendeiro de café e jornalista, Apolônio Almeida Prado Hilst, tentando seduzi-la num manicômio; a demência irrecuperável da mãe, Bedecilda Vaz Cardoso, após encontrar o amante bem mais jovem, um piloto, com outro homem na sua própria cama; na Livraria Planalto, no centro de São Paulo, a mocinha Hilda saboreando chá quase que diariamente com Oswald de Andrade e sua turma, e ouvindo deles: “além de bonita, pensa e escreve”; a virgindade perdida aos 20 anos, sem compromissos, por livre e espontânea vontade; a atração pueril pelo astro Marlon Brando, levando-a a pernoitar no Ritz de Paris e terminando por espiá-lo na intimidade lúbrica com o galã francês Christian Marquand, depois de subornar um segurança do hotel; anos de futilidade e luxúria, vestida quase sempre com modelitos de Denner, da Casa Vogue ou de Madame Rosita; os namorados ricos que lhe ofereciam jóias, peles, viagens para o exterior e até um Mercedes-Benz; os pileques e farras no seu sofisticado apartamento da Alameda Santos, em São Paulo, com uma turma de famosos que incluía Jô Soares, Mira Schaendel, Cassiano Gabus Mendes, Renata Pallotini, Bráulio Pedroso, Massao Ohno, Lupe Cotrim, Raul Cortez, Eva Wilma, Cacilda Becker, entre outros; os amantes descartáveis recolhidos em bares, restaurantes e rodovias; o horror a mulheres e crianças, as quais chamava de “crionças”, que a levou a fazer abortos; coisas notáveis em matéria de mediunidade; gravações de vozes do além através de ondas radiofônicas; vultos assombrados passeando pelo jardim; o alcoolismo; a velhice mal-resolvida, incomodando-se com rugas, flacidez, cabelos brancos ou a pele muito clara cheia de manchas de senilidade; o planeta Marduk, aonde iria depois da morte etc. Tamanha parafernália deveria fazer parte de qualquer biografia honesta de Hilda Hilst, um dos maiores ícones literários brasileiros do século 20. Ela os revelava com detalhes para quem quisesse ouvir, entre uma torrente de palavrões, muitas vezes caindo na gargalhada, noutras se ensopando de lágrimas.

HIPER LUCIDEZ E LIBERDADE

Mesmo descartado, jamais deixei de amá-la, lembrando até hoje da sua beleza, porte, inteligência, cultura e talento. Ela foi a figura mais admirável, lúcida, livre e inteligente que conheci. Ao saber da sua morte, realizei um ritual em sua homenagem, em pleno inverno catalão nas montanhas dos Pirineus, lendo poemas de seus poetas mais amados: Holderlin, John Donne, Rainer Maria Rilke, Fernando Pessoa, Jorge de Lima, T. S. Elliot, René Char, Saint John Perse e Federico Garcia Lorca. Hilda Hilst morreu solitária, depois de longos meses de enfermidade, com falência múltipla dos órgãos, em 3 de fevereiro de 2004, às 3 da manhã, magrinha, alojada numa aparência de 90 anos, ela que foi uma das mulheres mais lindas de sua época - parecida com a atriz sueca Ingrid Bergman; namorou astros de Hollywood (Tony Curtis, Jeff Chandler e Dean Martin) e o milionário Howard Hughes (o mesmo do filme de Martin Scorsese, “O Aviador / The Aviator”, 2004); ela que um dia recusou pedido de casamento de Vinícius de Moraes e o assédio de Carlos Drummond de Andrade, que lhe dedicava poesias eróticas e a seguia timidamente pelas ruas do Rio de Janeiro.

AVERSÃO AO MOVIMENTO CONCRETISTA

Lembro que Hilda levantava por volta das dez horas, passava óleo de amêndoa na pele e caminhava lentamente até o canil, alimentando 15 cães vira-latas. Depois iniciava o seu trabalho, sempre numa máquina Olivetti portátil. Ela vivia nesse tempo com o salário razoável de artista residente da Universidade de Campinas, que injustamente terminaria por ser cortado. Aproximando-nos ainda mais, tínhamos o mesmo livro favorito, “O Morro dos Ventos Uivantes / Wuthering Heights” (1847), de Emily Brontë. Ouvíamos as sinfonias de Gustav Mahler, fazíamos leituras de poesias e eu me emocionei quando descreveu com perfeição a aparência doentia do escritor mineiro Lúcio Cardoso, que ela conhecera na década de 50. Entre o lirismo e o escracho, esbravejava contra a mediocridade renitente, não apreciando o relato com começo, meio e fim. Tinha aversão ao concretismo e duvidava da consagração acadêmica, no exterior, de Machado de Assis. “É mentira. Machado só é lembrado no Brasil porque faz parte do currículo escolar, caso contrário seria esquecido e não faria falta”, afirmava. Egocêntrica e hipocondríaca, tomava vitaminas em excesso por uma simples gripe. Odiava ser chamada de poetisa, achando que o feminino diminuía a grandeza do poema, e renegava quase todos os escritores e poetas brasileiros, somente apreciando Clarice Lispector, Guimarães Rosa e Jorge de Lima.

SENTIR MAIS, DEFINIR MENOS

Mesmo atualmente com suas obras completas (40 livros em 19 volumes) sendo publicadas pela Editora Globo, e seu arquivo no Cedae da Unicamp, disponível para pesquisas, a escritora paulista passou anos em luta contra o esquecimento, o desdém do público e da crítica. De ascendência ibérica do lado da mãe e franco-alemã do lado do pai (os Hilst vieram da Alsácia, região entre a França e a Alemanha), nasceu em Jaú, no interior de São Paulo, em 21 de abril de 1930, estudou Direito na Faculdade do Largo do São Francisco, sem nunca ter exercido a profissão, e lançou o seu primeiro livro em 1950, “Presságio”. Lia em francês, inglês e espanhol, mas não falava nenhuma língua muito bem. De rara beleza, comportava-se na juventude de maneira avançada, numa desregrada vida boêmia, escandalizando a sociedade paulista e despertando paixões sem futuro. Em 1966, depois da leitura de “Cartas a El Greco / Raport Catre El Greco”, a última obra do grego Nikos Kazantzakis, escrita em 1956, resolveu abandonar essa vida fútil, procurando sentir mais a cintilância do invisível e definindo menos a realidade. Mudou-se para a Casa do Sol, transformando completamente seu cotidiano, passando a enxergar entidades e tendo vivências fora do corpo. Publicou uma série de obras em ficção e poesia (seu teatro, bastante ruim, permanece inédito), destacando-se a obra prima “Fluxo-Floema” (1970), “Qadós” (1973, o livro favorito dela), “Da Morte. Odes Mínimas” (1980) e “Amavisse” (1989). Em 1992, escandalizou o mercado editorial e seus leitores fiéis com “O Caderno Rosa de Lori Lamby”, uma pequena e risível novela supostamente pornográfica.

À PROCURA DE DEUS

Encontrei Hilda Hilst pela primeira vez alguns meses antes da publicação de “Contos D’Escárnio / Textos Grotescos” (1990). Na ocasião, era mais conhecida por uma espécie de anedotário do que pela leitura de seus escritos. Chamavam-na de louca, visionária, bruxa, cortesã e até de porca histérica em reportagem do jornal francês “Libération”. Porém, quisessem ou não, já era um dos pilares da literatura brasileira. Sua vasta obra, seja de poesia ou prosa, é densa, marcada pela busca incessante da individualidade e da procura ingrata de um Deus não-religioso. Hermética, vasculha uma realidade além do visível, além do palpável e do pensamento lógico. Utiliza a linguagem de forma especial e vigorosa, como meio de desestruturação, reformulação e catarse. “Existe um grande preconceito contra a mulher escritora. Você não pode ser boa demais, não pode ter uma excelência muito grande. Se você tem essa excelência e ainda por cima é mulher, eles detestam e te cortam. Você tem de ser mediano e, se for mulher, só faltam te cuspir na cara”, dizia. Entretanto, exagerava. Foi bem-sucedida ainda em vida, comentada, estudada, elogiada, pouco lida, evidente, contudo são raros os grandes escritores populares. O crítico literário Leo Gilson Ribeiro chegou a defini-la como “o maior escritor vivo em língua portuguesa”. Brilhante e desbocada, sentia saudades da juventude rica e glamourosa, em que era paparicada por todos. Paupérrima nos seus últimos anos, sofria por isso, pedindo dinheiro emprestado e driblando credores. Já havia vendido as obras de arte e todo o patrimônio que possuía para suprir necessidades imediatas. A péssima situação financeira fez com que escrevesse para a Fundação Nestlé rogando leite para alimentar seus estimados cães. Na sua conturbada biografia, calçada em alegrias e tragicidades fervorosas, inclui-se amizades vulcânicas, fatais, vertiginosas, entre a generosidade e a tormenta. O seu temperamento inconstante a fez perder inúmeras e preciosas amizades, às vezes com controvérsias irreversíveis e brigas homéricas, como o episódio do lançamento de uma antologia, onde quebrou um copo e ameaçou sangrar a escritora Edla van Steen, pois esta não parava de chamá-la, sussurrando, de meretriz. Caio Fernando Abreu, que morou um ano em seu sítio, fez primorosas entrevistas com a escritora e resenhas sobre seus livros, depois se tornou persona non grata para todo o sempre. Nunca soube realmente o motivo da inimizade deles, nem ele nem ela conseguiam explicá-la claramente. Hilda o acusava de falsidade, de perversidade e de escrever uma literatura estúpida. Ele sofria com isso.

O MEDO DE AMAR

Certa vez, num dos nossos passeios no enfeitiçado jardim da Casa do Sol, pouco antes do anoitecer, cheia de afetividade e mistério, disse-me que tinha medo de amar. Hilda Hilst acreditava que ninguém era feito para um outro: “Essa história de bossa alma gêmea é parvoíce. Coisa de folhetim e filmecos melosos”, afirmava áspera, preferindo acariciar o dorso indomável da fera-solidão. Ela zombava do amor. Casou-se com o escultor Dante Casarini pressionada por sua mãe conservadora, talvez cansada de vê-la solteira e alvo de línguas ferinas. Belo e cúmplice, Dante foi uma companhia bondosa. Poucos anos depois, trocado por um escritor de origem espanhola, José Luís Mora Fuentes, de 17 anos (Hilda beirava os 40), solidário, continuou a ampará-la. Houve uma época em que ela se apaixonou pelo jornalista e boxeador João Ricardo Barros Penteado e, por fim, pelo primo Wilson Hilst, vinte anos mais jovem. Ciumento e dominador, ele costumava presenteá-la com flores e chocolates, contudo, sua paranóia renitente acabou por levá-lo a aprisioná-la, durante alguns dias, no seu quarto. Ela teve uma espécie de obstinação romântica por Júlio de Mesquita Neto, apelidado por ela de Lili e um dos diretores do jornal Estado de S. Paulo. Escreveu para ele os extraordinários poemas de amor de “Júbilo, Memória e Noviciado da Paixão” (1974), recentemente musicados por Zeca Baleiro. Infelizmente, ele não aceitava a vida libertária da poeta e evitou a união. No entanto, Hilda Hilst jamais amou de corpo e alma. O seu temperamento diferente parecia não compreender tal sentimento, por mais que escrevesse sobre ele. Talvez só tenha amado seus cães feios e barulhentos, sua literatura, uísques, cigarros e sua própria figura na flor da juventude. Mesmo assim, não é pouca coisa.

FRAGMENTOS... DE CARTA DE HILDA HILST PARA ANTONIO NAUD JÚNIOR

“Você me fala do teu poço, Naud, meu baiano bonito, o poço há de ser sempre, as vezes com água mais clarinha, outras vezes com lama, bosta etc. Todos nós que escrevemos somos, queiram os outros ou não, diferentes mesmo, não há jeito. Eu sei que nada tenho a ver com as bestas-feras que habitam o planeta, acho mesmo que somos totalmente diversos, o olho vê mais fundo, a comoção é intensa, maior, fulgurante, tudo nos toca nos comove, nos mata nos aterroriza, o planeta Terra é muito bonito mas ficará amerdalhado totalmente logo mais, tenho profundo desprezo pelos homens políticos de agora de sempre, são todos uns filhos da maior puta, e nós nas mãos deles, cago para todo o Sistema de bosta, pra tudo, não desejo coisas além da solidão muito grande, só aqueles que fazem parte da minha família, isto é os escritores, os de intensidade verdadeira, os que sofrem de piedade e compaixão, as vezes penso que não vou agüentar continuar a existir vendo tanta crueldade, tanto horror. Também meu poço existe, também não tenho nada a ver com cidades, as vezes vou para SP para lançar um livro, como você sabe, chego lá tomo mil porres, ninguém tem nada a dizer, é a mesma baboseira de todos. Naud, nós todos temos problemas, saiba viver com os seus, te foi dado essa coisa tão difícil que é o ato de escrever, o sentir agudo o talento, você é um escritor e pronto, arranje um trabalho de bosta qualquer, meio período, mude-se para um pequeno lugar, você não é casado, não tem filhos para sustentar, escolha o lugar onde quer morar, arranje umas colaborações em revistas jornais, escolha a tua própria vida, faça a sua própria vida... “
(25 de dezembro de 1990)

DE TEXTO INÉDITO DE HILDA HILST

“O grande escritor que foi John Cowper Powys (“In Defense of Sensuality”), homem extraordinário e cultíssimo teceu loas à masturbação, e ressaltava a importância da mesma como forma de dominar impulsos perigosos. Pensem na eficácia desse ato supimpa libertando instintos assassinos e sádicos. E hoje então, meu povo, diante da Aids que grassa como guanxuma grama capim, que maravilha seria! Atenção: exibicionistas não! O ato pode ser realizado entre castas paredes, ah! teu corpo nu entre castas paredes, invente, imagine por exemplo um tanque de nenúfares (procure no dicionário), ou um bidê coalhado de maçãs, branco e carmim, teu neurônio ativado relembrando coalhadas e beijos, benditos instantes entre o teu-eu e o teu-sim. Ah! a derme cravada de desejo! Ternas ou torpes associações, relembranças, tudo tudo menos isso de sair por aí esfolando boi vaca bode cachorro gato e depois criancinhas homens mulheres. Vamos a campanha da mão em concha!”
(“A Mão em Concha”, 1990)

DE CORRESPONDÊNCIAS

“Hilda, grande figura:
Conte, conte as coisas que às vezes atrapalham V., se acha que com isso elas se desatrapalharão um pouco. Eu farei o mesmo. Conversaremos muito, e chegaremos a grandes conclusões sobre a vida, que, segundo os últimos autores, não é bem aquela coisa ruim que a gente pensava que fosse – e sim um negócio meio chato, com alguns clarões matutinos: por exemplo, V. e suas cartas.
Se bem que, falando sério, não acredito muito na viabilidade do seu projeto de sermos “muito amigos e muito honestos um para o outro”, assim por meio de cartas, e na base de um conhecimento meteórico de uma noite em casa de amigos e de uma conversa de bar. Sinto-me muito literário diante de V., muito defendido pelas minhas barbas brancas (que não aparecem, mas que V. por certo enxerga em mim), e V. por sua vez muito dona de si na sua beleza, na sua mocidade, na sua aisance de jovem que sabe dos seus poderes em face dos homens, e ainda por cima inteligente e ainda por cima poetisa. Não, Hilda, por enquanto o que nós somos um para o outro é obscuro e difícil de explicar, mas desconfio que V. seja ou esteja simplesmente curiosa – afinal, um velho poeta modernista, como é que será por dentro?“
(Carlos Drummond de Andrade, 6 de novembro de 1950)


“Sinto, Hildinha, a necessidade de penetrar numa outra dimensão, num outro nível de existir. Têm me doído o corpo e suas solicitações. Também não quero negar a carne, sei que se esse corpo nos foi dado é para que o usemos da maneira mais intensa possível, até ultrapassá-lo, até conseguir, através dele, atingir o mais alto. Acontece que, quase sempre, as vontades do corpo são baixas e escuras. Também por causa dessa maldição (?) homossexual, você sabe, os rituais, os bares especializados, essas coisas. É tão difícil. Quando cedo a isso, por desespero, tenho terríveis crises de consciência, depois. Crises que sei inúteis, desgastantes, porque mais dia menos dia voltará a ciranda do sexo. Se fosse possível um relacionamento claro entre duas pessoas, se eu conseguisse encontrar alguém que me completasse, que fosse completado por mim, que me saciasse o corpo para que o espírito pudesse voar. Espero isso, quase sempre sem procurar. Mas quando caio na procura, volto decepcionado, ferido, frustrado, enfraquecido. As pessoas têm medo da entrega. É mais fácil, menos comprometedor, diluir-se na ciranda dos bares, das saunas, do deboche. As pessoas têm medo de se doarem. E seria tão bom, tão melhor. Essa é a minha maior preocupação espiritual, e não tenho conseguido divisar a solução, o equilíbrio. Não quero a prisão da carne, também não quero a sua perdição. Não quero tornar-me nem amargurado nem debochado. Não sei.”
(Caio Fernando Abreu, 14 de maio de 1972)

O AUTOR

Escritor, poeta e jornalista, o baiano Antonio Naud Júnior descobriu a literatura aos 12 anos. Começou publicando no Cacau/Letras, editado por Hélio Pólvora, e seguiu com ficção e poesia na revista Exu (Brasil), New Wave (EUA), Go (Espanha) e V_Ludo(Portugal). Participou de várias antologias e publicou sete livros, sendo que quatro deles em Portugal. Vive para viajar. Passou longas temporadas no Rio de Janeiro, São Paulo, Natal, Madri, Barcelona, Cádiz, Paris, Lisboa, Sintra, Cascais, Havana, Santa Cruz de Graciosa (Açores), Londres, Edimburgo, Firenze e Colônia. Foi free-lancer dos jornais Folha de S. Paulo, O Tempo (MG) e A Tarde (BA). Mora atualmente em Salvador, escrevendo para jornais e revistas do Brasil, Portugal e Espanha. Finaliza a novela “Homem sem Caminho”, uma versão contemporânea de “Carmen”, de Prosper Merimée. Publicou recentemente “Suave é o Coração Enamorado” (Via Litterarum, 2006).

antonio_junior2@yahoo.com


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Dica Literária


Minha Dica Literária



Coluna n ° 17 - impetuosos poemas, Dalcídio Jurandir

- Sobre Dalcídio Jurandir

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. 
Dalcídio Jurandir Ramos Pereira (Ponta de Pedras, ilha do Marajó, Pará, 10 de janeiro de 1909 — 16 de junho de 1979) foi um romancista brasileiro. Dalcídio estudou em Belém, até 1927.
Em 1928 partiu para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como revisor, na revista Fon-Fon. Em 1931 retornou para Belém. Foi nomeado auxiliar de gabinete da Interventoria do Estado. Escreveu para vários jornais e revistas.
Militante comunista, foi preso em 1936, permanecendo dois meses no cárcere. Em 1937 foi preso novamente, e ficou quatro meses retido, retornando somente em 1939 para o Marajó, como inspetor escolar.
Escreveu para vários veículos e acabou como repórter da Imprensa Popular, em 1950. Nos anos seguintes viajou à União Soviética, Chile e publicou o restante de sua obra, inclusive em outros idiomas.
Em 1972, a Academia Brasileira de Letras concede ao autor o Prêmio Machado de Assis, entregue por Jorge Amado, pelo conjunto de sua obra.
Em 2001, concorreu com outras personalidades ao título de "Paraense do Século". No mesmo ano, em novembro, foi realizado o Colóquio Dalcídio Jurandir, homenagem aos 60 anos da primeira publicação de Chove nos Campos de Cachoeira.
Em 2008, o Governo do Estado do Pará instituiu o Prêmio de Literatura Dalcídio Jurandir.
Em 2009 comemorar-se-á o centenário do escritor e estão sendo realizadas campanhas para que até lá todos os seus livros sejam novamente publicados.
[editar]Obras de Dalcídio Jurandir

Série Extremo-Norte
Chove nos Campos de Cachoeira (1941)
Marajó (1947)
Três Casas e um Rio (1958)
Belém do Grão Pará (1960)
Passagem dos Inocentes (1963)
Primeira Manhã (1968)
Ponte do Galo (1971)
Os Habitantes (1976)
Chão dos Lobos (1976)
Ribanceira (1978)
Série Extremo-Sul
Linha do Parque (1959)
Publicações póstumas
Passagem dos inocentes – Editora Falângola, 1984
Chove nos campos de Cachoeira – Editora Cejup, 1991
Marajó – Editora Cejup, 1992
Três casas e um rio, Editora Cejup, 1994
Belém do Grão-Pará - Edufpa/Casa de Rui Barbosa, 2004
[editar]Barro do princípio do mundo

"Trabalhando o barro do princípio do mundo, do grande rio, a floresta e o povo das barrancas, dos povoados, das ilhas, da ilha de Marajó, ele o faz com a dignidade de um verdadeiro escritor, pleno de sutileza e de ternura na análise e no levantamento da humanidade paraense, amazônica, da criança e dos adultos, da vida por vezes quase tímida ante o mundo extraordinário onde ela se afirma." (Jorge Amado, Saudação a Dalcídio Jurandir)
[editar]Ligações externas

Instituto Dalcídio Jurandir Virtual Books
Prêmio de Literatura Dalcídio Jurandir
Categorias: Literatura brasileira de expressão amazônicaRomancistas do BrasilNaturais de Ponta de PedrasComunistas do BrasilMortos em 1979

domingo, 18 de dezembro de 2011



Poesia do amigo Marcos Cintra pesquisador do nosso Grupo TCI-BR

Sent: Sunday, December 18, 2011 9:26 AM
Subject: [TCI] OBSIDIADOS (PARA DESCONTRAIR)
QUALQUER SEMELHANÇA COM IMAGENS,FATOS OU PESSOAS DA VIDA VIRTUAL NÃO É MERA COINCIDÊNCIA.
                                           "OBSIDIADOS"
 Sou grande conhecedor das escrituras
Kardec, Xavier e outras leituras
Por isso do meu pedestal vos advirto:
Cuidado irmãos com o  anticristo
Não aceitem doações dos gentios,impios e impuros
Pois podem vir a ficar em apuros
Suas gravações são obras de satanás
O tinhoso que quer sempre vos passar para trás
Aceitem minha orientação e meus cânones
Pois aprendi com o Jim Jones
O que é melhor para o rebanho
Desde os tempos de antanho
Já eu sou uma forte e rija marajoara
Destemida na luta contra os jaguaras
Corajosa, intrépida e de guerra
Nado até contra a pororoca
Acostumada a comer açai, piranhas e tucunarés
Não fugi do curupira e enfrento até jacarés
Sou capaz de peitar em qualquer desavença
Pois fui criada mamando em onça
Nas matas da minha terra natal
Enfrentei toda a fauna e o escambal
Não tenho medo dos seres do umbral
E não vou na conversa de qualquer fanfarrão
Pois aqui eu dou as cartas e jogo de mão
Já eu faço grandes captações
Nas minhas constantes gravações
Uso métodos revolucionários
Para conversar com os solitários
Entes que habitam as dimensões
Entre o aqui e o mais alhures
As vezes fico um pouco cabreiro
Por que eles não respondem com esmero
Aquilo que indago sem destempero
Nas conversas cotidianas
Com espíritos superbacanas
Não sei mais o que farei
Pois um deles até falou:eu me caguei
Ah! Ah! Ah! sou um megalomaníaco
Mas acho que ainda não perdi o senso crítico
Sou muito bom em tudo que realizo
Chuto o pau da barraca da ciência e do que for preciso
A tci é coisa para anacrônicos
Que correm o perigo de perder o corpo sônico
Por não saberem usar um escafandro
Ao se aventurarem por esses meandros
Que consistem nos mundos paralelos
Onde eu transito livre e sem atropelos
Por que eu sou um espírito de escol
E afirmo que não há nada novo debaixo do sol
Desprezo o saber dos ancestrais
Pois eles não sabiam nada demais
O que vale é a juventude e o novo
Mas será que o novo não são as coisas acontecendo de novo?
Não sei mais o que dizer e o que falar
Será que eu não sou apenas mais um bipolar?
Sou da terra dos visigodos
Batalho combatendo os abrolhos
Vivo colhendo repolhos, nabos e pepinos
Nas horas vagas fotografo os umbralinos
Para mostrar o que vos espera depois de mortos
Ao partir para as dimensões do ignoto
Conclamo-vos a deixar de agir como marotos
Ou vão sofrer as consequências
Nas dimensões eivadas de pestilências
Não deixem a reforma íntima para depois
Pois o castigo vem a cavalo pois pois
Façam logo uma reforma íntima
Antes que chegue a época da vindima
Entrem de chofre nesta porfia
Pois vão descobrir com certeza que é uma mais valia
Amigos desculpem estes versos pirados
deste que é apenas mais um obsidiado
As vezes ajambrado, irônico e glosador
E que não passa de mais um falador
Sem muita perspicácia do valor
das pessoas, das coisas e do seu labor
E assim se mete a versejar
Com ironias inconsequentes a malbaratar
Alguns membros deste fórum salutar
Talvez inspirado pelo Zé Pilintra
Este que atende como Marcos Cintra
 Caros amigos tcistas, agradeço a todos vocês, neste ano que está quase a terminar, o muito que aprendi de bom, nestas conversas interativas, sempre muito instrutivas, com obsidiados ou obsessores, todos irmãos em evolução, neste mundo sem tamanho. Espero que melhoremos cada vez mais,neste tempo que ainda nos resta, para não termos de voltar aos sofrimentos do umbral. Desejo a todos muito amor, sáude e paz neste ano que se avizinha. Beijos MC





Nota: Agradeço amigo Cintra por me fazer rir e descontrair. Um abraço bem forte! Boas Festas a todos.

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